A história do Grupo Telles, de Fortaleza, é talvez o melhor exemplo de longevidade empresarial em um Brasil acostumado a ver milhares de negócios morrerem após pouco tempo. Em 2026, o grupo cearense comemora 180 anos sob o comando da mesma família. É o mais antigo do país, superando até mesmo grandes conglomerados também de origem familiar, como Klabin (127 anos) e Gerdau (125). O negócio começou pelas mãos do imigrante português Dario Telles de Menezes. Em 1846, ele desembarcou em Maranguape, cidade nos arredores de Fortaleza, então a mais próspera do Ceará, com um alambique de cerâmica nas mãos.

Foi o embrião da Ypióca, uma das marcas mais icônicas de aguardentes do país, mantida sob controle da família Telles até a venda para a multinacional Diageo, em 2012, por 470 milhões de dólares. De lá para cá, a família precisou recomeçar os negócios praticamente do zero. Sem a joia da coroa, o faturamento caiu pela metade. Só em 2017 a receita do Grupo voltou ao patamar pré-venda. Daí para a frente, com apostas em setores distintos, como bebidas não alcoólicas, embalagens e biocombustíveis, os negócios deslancharam. Hoje o Grupo Telles tem 2.200 funcionários em quatro estados. Em 2025, ultrapassou a receita de 1 bilhão de reais. “Batemos uma meta esperada havia algum tempo”, diz a CEO Aline Telles, da quinta geração da família.
matéria: Leo Branco e Isabela Rovaroto